Avatar Aang: O Último Mestre do Ar – A História Expandida: O Templo do Ar do Sul

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Kallik raspava os pilares do Templo do Ar do Sul. Eles estavam cobertos de musgo e trepadeiras, e o branco havia adquirido um tom esverdeado e encardido. Ela trabalhava com cuidado. Normalmente, Kallik não era uma pessoa cuidadosa, mas havia algo na serenidade do templo abandonado que tornava sua mão, sempre tão rápida, mais lenta.

O templo, assim como os outros lugares onde ela e os amigos haviam ido em busca de relíquias, já tivera dias melhores. Quando não eram trepadeiras subindo pelas paredes, eram pedaços de entulho despencando a cada passo em falso.

Ela passou a luva pelo pilar. Havia algum tipo de entalhe ali.

— Ah.

Kallik sorriu.

Era tosco e irregular, mas claramente representava um bisão voador. Chifres rombudos, seis pernas tortas, uma seta trêmula. Ela se perguntou quem teria feito aquilo. Talvez alguém tivesse entalhado a imagem do próprio bisão voador. Ou talvez fosse um bisão com o qual sonhava fazer amizade. Os sonhos de um Nômade do Ar de muito tempo atrás.

— Achou alguma coisa boa?

Kallik deu um pulo. Estava tão concentrada que não ouvira Jie se aproximar por trás.

— Só este entalhe — respondeu Kallik. — Você acha que foi feito pelo Avatar quando ele era criança?

Jie cruzou os braços e estreitou os olhos tatuados para observar o desenho. Abaixou-se e passou os dedos pelas linhas rudimentares.

— Provavelmente não. Está vendo o ângulo dos cortes, o jeito como a faca deve ter sido segurada? A pessoa que fez isso era canhota. O Avatar é destro.

Kallik balançou a cabeça, afetuosa. Nunca deixaria de se impressionar com a capacidade de dedução de Jie, mesmo que não houvesse como comprovar se aquela conclusão estava certa ou não.

Uma sensação inesperada de vazio tomou conta dela ao perceber que aquele pequeno fragmento de história, por mais insignificante que fosse, estava perdido para sempre. Havia algo naquele templo que despertava nela uma saudade que não sabia explicar. Um dia, aquele lugar devia ter sido o lar de tanta gente, uma comunidade cheia de vida.

Ela gostaria de ter podido vê-lo assim.

Jie, aparentemente, não compartilhava do mesmo sentimentalismo. Encaixou em seu arco uma flecha com uma corda presa a ela e disparou contra as vigas.

Era quase impossível se locomover pelo templo sem ser um dobrador de ar. Menor e mais leve que os outros, Kallik era a única que conseguira saltar com agilidade pelo campo de bola de ar. Jie só havia atravessado graças a algumas flechas estrategicamente disparadas com cordas amarradas, enquanto Hong e Yuddah tinham desistido e dado a volta pelo caminho mais longo.

As vigas, travessas de madeira que se cruzavam na parte alta da torre, eram outro lugar onde só Kallik parecia conseguir se mover com facilidade.

Os dobradores de ar adoravam construir para cima.

Jie puxou a corda, satisfeita.

— Hong e Yuddah já estão lá em cima. O Avatar deve chegar a qualquer momento. Está na hora de assumirmos nossas posições.

Kallik assentiu e se levantou. Ajustou as facas.

— Desta vez eu não vou estragar tudo — prometeu a Jie.

Tinha sido culpa dela terem perdido a oportunidade da última vez. Apenas uma semana antes, o Avatar havia escapado deles levando justamente a relíquia que haviam passado anos procurando.

Liderados por Jie, Kallik e os demais tinham se tornado muito bons em encontrar antigas relíquias dos dobradores de ar. Jie tinha um talento especial para juntar pistas a partir de qualquer fragmento de texto, mapa ou desenho que conseguissem encontrar. Embora os nômades, desapegados da riqueza material, tivessem poucas posses, Jie sempre parecia capaz de encontrar seus tesouros. Jogos de chá muito apreciados, planadores artesanais, instrumentos musicais delicados.

Kallik desconfiava que talvez eles já tivessem encontrado mais relíquias do que o próprio Avatar.

Jie bagunçou os cabelos de Kallik.

— Não se preocupe com isso — disse, tranquilizando-a. — Eu sei que você não vai. Da última vez, eu não mandei você com a equipe certa. Desta vez? Temos exatamente o grupo certo para enfrentar o Avatar.

Kallik abriu um sorriso.

O grupo deles, os Negados, só fazia crescer. Histórias sobre suas façanhas já tinham chegado a outros não dobradores também. Kallik havia ficado preocupada quando Jie a enviara na última missão com os novos recrutas. Preocupada com a possibilidade de decepcionar Jie de algum jeito ou irritar Hong ou Yuddah.

Os três, Jie, Hong e Yuddah, eram os integrantes originais. Kallik só havia sido incorporada mais tarde, depois de ajudá-los a sair de uma situação difícil. Ela nunca tinha certeza absoluta de que realmente fazia parte do grupo, mas eles eram o mais próximo que tinha de uma família.

Tentou não pensar em como havia deixado o Avatar passar direto por ela da última vez.

Ele simplesmente tinha sido rápido demais.

Hong a alertara de que ninguém era mais veloz do que um dobrador de ar. Mas como ela poderia imaginar o quanto eram rápidos se nunca tinha visto um antes?

O Avatar havia passado por ela num instante e, mesmo sendo a mais rápida entre os Negados, quando Kallik se deu conta, ele já estava montado em seu bisão, levantando voo, enquanto a faca dela batia no chão atrás dele, sem sequer ser notada.

E ele levara consigo a única relíquia que eles vinham procurando todos aqueles anos.

Aquela que talvez pudesse corrigir tudo o que conheciam de errado.

Até então, eles tinham feito um trabalho extraordinário encontrando diversas relíquias relacionadas à dobra de ar. Em uma caverna nos limites do Reino da Terra, encontraram um pergaminho com dois poemas do Guru Laghima, talvez escritos à mão pelo próprio Guru, quem sabe versões preliminares de poemas publicados posteriormente.

Em uma sala de aula desmoronada, encontraram uma cópia das obras do Guru Shoken, cheia de rabiscos às margens zombando de suas filosofias.

E, no alto de uma torre absurdamente elevada, até onde Yuddah teve de manobrar cuidadosamente a aeronave deles e onde Jie precisou disparar uma flecha no ponto exato para que Hong conseguisse atravessar agarrado à corda, encontraram uma receita supostamente infalível para acalmar os estômagos de bisões voadores.

É claro que nada disso era o que realmente procuravam.

Apesar de todas as habilidades do grupo, havia certas relíquias que eles simplesmente não tinham poder para recuperar.

Mais de uma vez, haviam atravessado o mundo apenas para se deparar com fechaduras que só podiam ser abertas com dobra de ar.

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Capítulo 2